O medo de si encontrar
- Luciano Valadares
- 28 de mar.
- 2 min de leitura
Muita gente pensa que sofre por causa do mundo, das pessoas, das perdas, das exigências da vida.
E sim, tudo isso nos toca. Mas há um sofrimento mais silencioso, mais profundo, que quase nunca é nomeado com clareza: o medo de encontrar a si mesmo.
Não apenas o medo de ver a dor.
Mas o medo de ver a verdade.
Porque olhar para dentro, de verdade, quase nunca confirma a imagem que construímos para sobreviver.
Revela contradições. Mostra dependências emocionais disfarçadas de amor, durezas disfarçadas de força, fugas disfarçadas de liberdade.
E o ego teme isso não porque seja mau, mas porque aprendeu a se manter vivo por meio de defesas, máscaras e justificativas.
O problema é que aquilo que um dia protegeu, depois começa a aprisionar.
O "medo do eu" nasce quando imaginamos que, se descermos com honestidade à nossa vida interior, encontraremos algo insuportável.
Como se houvesse em nós um erro definitivo, uma falha irreparável, uma verdade tão desconfortável que não poderia ser atravessada.
Então evitamos. Nos ocupamos demais. Reagimos demais. Explicamos demais. Controlamos demais. E, sem perceber, vamos vivendo a partir de uma distância interna.
Mas o preço dessa fuga é alto.
Quando não suportamos nos ver, também não conseguimos sustentar vínculos com verdade. Não conseguimos amar sem defesa.
Não conseguimos descansar por inteiro.
Não conseguimos estar presentes sem algum grau de representação.
A alma fica cansada de ser administrada por personagens.
O caminho interior começa a amadurecer quando percebemos que a verdade sobre si mesmo pode doer, mas não destrói.
O que destrói é a falsificação contínua da própria vida.
O que adoece não é enxergar a sombra, mas viver protegido dela por ilusões que já perderam a função.
Ver a si mesmo com seriedade não é se condenar. É deixar de se abandonar.
Talvez o verdadeiro medo não seja do que existe dentro de nós, mas do que precisará cair quando a verdade for finalmente aceita.
Luciano Valadares
Psicólogo e Terapeuta Transpessoal
Inspirado no livro: A Ponte para Si Mesmo.
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